Chamado de "Fiat Uno" pelo protagonista, equipamento de pulverização carrega o homem em voo sobre vegetação. Cena seria uma "prova" de que vídeo anterior não era Inteligência Artificial, mas especialistas alertam para o perigo extremo da manobra.


Um vídeo que circula nas redes sociais nesta semana tem deixado internautas impressionados e preocupados na mesma medida. As imagens mostram uma cena, no mínimo, inusitada: um homem "pilotando" um drone agrícola de grande porte enquanto está sentado sobre o próprio equipamento.

No registro, o homem sobe na estrutura da aeronave — tipicamente utilizada para pulverização de lavouras — e se acomoda entre os tanques de armazenamento. Em tom de brincadeira, ele compara o drone a um carro popular resistente: "Bota aqui dentro do bagageiro. Esse é o Fiat Uno 100", diz ele, antes de acionar os motores.

Veja o vídeo:

Resposta aos céticos

A gravação parece ser uma resposta direta a comentários de um vídeo anterior. Na legenda inserida nas imagens, lê-se: "Para nossos amigos que comentaram que era uma cena criada através de aplicativos de IA (Inteligência Artificial), tá aí, tire suas dúvidas".

Com o controle remoto em mãos, o homem levanta voo. O drone ganha altitude rapidamente, carregando o peso do passageiro improvisado, e realiza um sobrevoo por uma área de vegetação aberta. Após fazer uma curva no ar, a aeronave retorna e pousa no mesmo local, onde o homem desembarca segurando uma garrafa, brincando que foi buscar "água gelada".

Localização e Riscos

Até o momento, não há confirmação sobre a cidade ou o estado onde o vídeo foi gravado, embora o sotaque e a vegetação sugiram regiões com forte atividade agrícola, comuns no Norte ou Centro-Oeste do país.

Apesar de o vídeo ter viralizado pelo tom humorístico e pela demonstração de potência do equipamento, a manobra levanta sérios alertas de segurança.

O perigo da "Gambiarra" Aérea

Especialistas em aviação não tripulada e segurança do trabalho alertam que esse tipo de conduta é extremamente perigosa. Drones agrícolas, como o modelo que aparenta ser um DJI Agras (T30 ou T40), possuem hélices de fibra de carbono que giram em altíssima velocidade, capazes de causar ferimentos fatais em caso de contato.

Além disso, as aeronaves são projetadas para carregar cargas líquidas (pesticidas ou água) e possuem sensores de equilíbrio calibrados para tal. O peso de um ser humano, que se move e altera o centro de gravidade de forma imprevisível, pode desestabilizar o drone, causando quedas de grandes alturas.

A ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) possui regras rígidas para a operação de drones no Brasil (RBAC-E nº 94), e o transporte de pessoas em equipamentos não certificados para essa finalidade é proibido, configurando infração grave que pode colocar em risco não apenas o "piloto", mas pessoas no solo.