Marcelo Moreira, o "Marcelinho Legalizações", foi apontado pela Polícia em 2012 como integrante do bando que tentou assaltar o Banco do Brasil em São Domingos do Capim, resultando na morte do jovem Francivaldo Soares.
A prisão do vereador Marcelo Moreira dos Santos, conhecido como "Marcelinho Legalizações", ocorrida na manhã desta terça-feira (10) durante a Operação Contragolpe, trouxe à tona um passado sombrio do parlamentar. Esta não é a primeira vez que Marcelo é detido pela Polícia Civil.
Investigações jornalísticas e arquivos policiais apontam que Marcelo Moreira esteve envolvido em um crime de grande repercussão ocorrido em dezembro de 2012: a tentativa de assalto à agência do Banco do Brasil de São Domingos do Capim, que culminou na morte trágica do bancário Francivaldo Soares da Silva, de apenas 21 anos.
O Crime de 2012: Violência e Morte
Segundo reportagem veiculada pela TV Liberal à época, Marcelo Moreira Santos, então com 22 anos, foi preso em Castanhal acusado de integrar a quadrilha responsável pelo crime.
O crime ocorreu na madrugada de 7 de dezembro de 2012. O bando, composto por cerca de 10 homens fortemente armados, invadiu a residência de funcionários do banco e a delegacia local, na modalidade criminosa conhecida como "sapatinho".
A quadrilha fez reféns, incluindo o gerente e o escriturário Francivaldo Soares, recém-contratado do banco. Os criminosos tentaram arrombar o cofre usando maçarico, mas a ação foi frustrada pela chegada da Polícia Militar.
A Fuga e a Morte de Francivaldo
Na fuga, o grupo levou o escriturário Francivaldo como refém em um barco pelo Rio Capim. O corpo do jovem foi encontrado apenas na manhã seguinte, dia 8 de dezembro, por equipes do Corpo de Bombeiros.
Conforme noticiado no boletim da ANABB (Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil) na ocasião, um barqueiro que deu apoio à fuga confessou onde o bancário havia sido jogado no rio após ser alvejado com um tiro pelos criminosos.
A Participação de "Marcelinho"
Na reportagem de arquivo recuperada pelo Jornal de Castanhal (assista abaixo), a Polícia Civil detalha a função de cada membro preso na época.
"Marcelo Moreira Santos [...] era o responsável pelo arrombamento da agência bancária. Eles foram presos ontem à noite em Castanhal", informou a reportagem da TV Liberal.
Na época, os acusados, incluindo o atual vereador, responderam pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), formação de quadrilha e porte ilegal de armas.
Do Banco dos Réus à Câmara Municipal
Treze anos após o crime que chocou o nordeste paraense, Marcelo Moreira ressurgiu na vida pública como vereador em Castanhal, ostentando o apelido de "Legalizações".
Sua prisão hoje, na Operação Contragolpe, fecha um ciclo de reincidência. Se em 2012 a acusação era de violência direta e roubo a banco, em 2026 o parlamentar é investigado por crimes de "colarinho branco": estelionato, fraude contra seguradoras e adulteração de veículos, causando prejuízos estimados em R$ 4 milhões.
