Parceria entre DFN e Companhia Têxtil de Castanhal garante a produção do maior símbolo da festividade com tecnologia e sustentabilidade local.


A Corda do Círio 2026, um dos símbolos mais emblemáticos da maior manifestação religiosa do Brasil, voltará a ter o DNA castanhalense. A parceria entre a Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) e a Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) foi oficialmente renovada no último dia 6 de março, garantindo que o item seja produzido integralmente no município para as duas principais procissões: a Trasladação e o Círio.

O encontro que selou o acordo ocorreu em Castanhal e contou com a presença de Antônio Sousa, coordenador do Círio 2026, Sérgio Reis, diretor secretário, e membros da diretoria de procissões.

Produção com Malva Amazônica: Sustentabilidade e Conforto

Diferente do sisal utilizado até 2022, a corda agora é 100% paraense. Produzida a partir da malva amazônica, a fibra é cultivada por cerca de 300 produtores rurais de municípios como Nova Esperança do Piriá, Capitão Poço e a própria cidade de Castanhal.

A mudança para a malva, iniciada em 2023, trouxe benefícios práticos para os promesseiros. "Este ano vamos priorizar os nós e argolas, com maior reforço, para evitar qualquer intercorrência durante as procissões", explicou Antônio Sousa. Além da resistência, a fibra de malva é reconhecida por ser mais macia ao toque, oferecendo maior conforto aos fiéis que enfrentam horas de caminhada.


Detalhes Técnicos da Corda do Círio 2026

A estrutura da corda segue padrões rigorosos de engenharia e segurança, testados pela Universidade Federal do Pará (UFPA):

  • Comprimento total: 800 metros (divididos em duas partes de 400m).

  • Diâmetro: 60 milímetros.

  • Elementos: 32 nós e argolas de sustentação.

  • Resistência: Capacidade de tração de aproximadamente 9,3 toneladas.

  • Mão de obra: 83 colaboradores diretos na fábrica e meses de preparação no campo.

Todo o processo, desde o tratamento da fibra bruta até o entrelaçamento final, leva cerca de um mês dentro da fábrica da CTC. A entrega oficial do item à DFN está prevista para setembro.

Tradição que nasceu de um imprevisto

A inserção da corda no Círio não foi planejada, mas fruto de um incidente histórico em 1885. Durante uma enchente da Baía do Guajará, a berlinda atolou próximo ao Ver-o-Peso. Para resgatar a imagem e seguir com a procissão, fiéis utilizaram uma corda de um comerciante local para puxar o carro, substituindo os cavalos.

Desde então, o objeto deixou de ser um recurso técnico para se tornar o elo físico entre Nossa Senhora de Nazaré e seus devotos, simbolizando o sacrifício e a gratidão.

O Círio de Nazaré 2026 é uma realização da Arquidiocese de Belém, Basílica Santuário de Nazaré e Diretoria da Festa de Nazaré, com apoio institucional do Governo do Estado do Pará e Prefeitura de Belém.

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