Ação da Polícia Civil do Paraná resultou em 61 prisões e no bloqueio de R$ 1,5 bilhão; entre os detidos estão os presidentes das Câmaras de Cianorte e Goioerê.

Com 61 presos e R$ 1,5 bilhão bloqueados, ação atingiu Castanhal e mais 26 cidades. Foto: PCPR

Uma megaoperação chefiada pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR), realizada entre terça-feira (7) e quarta-feira (8), desarticulou uma organização criminosa bilionária envolvida com jogos de azar e lavagem de dinheiro. A ação, que mobilizou mais de 330 policiais, estendeu-se por 27 cidades em cinco estados brasileiros, incluindo Castanhal, no Pará.

Ao todo, pelo menos 61 pessoas foram presas. A investigação aponta que o grupo movimentou cifras bilionárias nos últimos três anos, realizando mais de 500 mil operações financeiras para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Políticos entre os alvos da operação

Entre os presos preventivamente estão figuras públicas de destaque no Paraná: Víctor Hugo Davanço (Podemos), presidente da Câmara de Cianorte, e Marcelo Gaúcho (PSD), vice-presidente da Câmara de Goioerê. A polícia ainda não detalhou a função específica de cada parlamentar dentro da hierarquia da organização.

Em nota, a defesa de Víctor Hugo Davanço afirmou que ainda não teve acesso total aos autos, mas que provará a inocência do vereador. A Câmara de Cianorte declarou estar à disposição da justiça. Da mesma forma, a defesa de Marcelo Gaúcho busca acesso ao processo para demonstrar a inocência do cliente, enquanto a Câmara de Goioerê informou não ter recebido notificação oficial até o momento.

Apreensões e bloqueios bilionários

A Justiça expediu 371 ordens judiciais, visando o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias que somam R$ 1,5 bilhão. Durante os dois dias de operação, foram apreendidos:

  • 132 veículos de luxo (avaliados em R$ 11 milhões);
  • 111 imóveis (estimados em R$ 32,9 milhões);
  • Mais de 100 cabeças de gado;
  • Dinheiro em espécie e máquinas caça-níqueis.

Além disso, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar por determinação judicial.

Castanhal na rota das investigações

A operação teve um alcance interestadual, atingindo cidades no Paraná, São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Pará. Em solo paraense, o foco das diligências foi o município de Castanhal. A inclusão da cidade na operação demonstra a capilaridade da rede criminosa, que utilizava "laranjas" e empresas de fachada para lavar o dinheiro obtido com a exploração de jogos ilegais, como o jogo do bicho e plataformas online.

Como funcionava o esquema

Segundo o delegado Marcos Felipe, a organização era um conglomerado formado pela fusão de dois grandes grupos de jogos ilegais (um paranaense e outro goiano). O grupo possuía até uma empresa de tecnologia própria, onde técnicos faziam o suporte diário de softwares de apostas usados em 14 estados.

"Evidenciou-se a criação de empresas de fachada e fictícias voltadas para ocultar os rendimentos ilegais e assim dar uma aparência de licitude aos valores obtidos de forma criminosa", explicou o delegado.

O que diz a lei sobre jogos de azar

O Ministério da Justiça reforça que a exploração de jogos de azar é considerada contravenção penal no Brasil. De acordo com a legislação, jogos que dependem exclusivamente da sorte (caça-níqueis, jogo do bicho) são proibidos. A pena para quem explora a atividade varia de três meses a um ano de prisão simples, além de multa. Já os apostadores flagrados também estão sujeitos a penalidades financeiras.

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