Ação civil pública pede medidas urgentes após omissão do município diante de caso grave envolvendo animal doente e gestante

A situação do animal é grave, pois além de estar acometida por uma doença infecciosa, ela também está em estágio avançado de gestação. Foto: Divulgação

O Ministério Público do Estado do Pará ajuizou uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência para assegurar o resgate, acolhimento e tratamento de uma cadela comunitária encontrada em situação de extrema vulnerabilidade no município de Castanhal, nordeste paraense.

A iniciativa foi conduzida pela promotora de Justiça Maria José Vieira de Carvalho Cunha, titular da 5ª Promotoria de Justiça de Defesa Comunitária e de Cidadania de Castanhal, que também responde pela 6ª Promotoria e coordena o Núcleo de Defesa do Direito dos Animais.

A cadela foi encontrada em estado crítico, sendo portadora de Tumor Venéreo Transmissível (TVT), uma doença contagiosa que compromete gravemente a saúde do animal. Além disso, ela está em estágio avançado de gestação, o que aumenta significativamente o risco de morte tanto para ela quanto para os filhotes.

Segundo o MPPA, a situação também representa risco sanitário, devido à possibilidade de disseminação da enfermidade.

Omissão do poder público motivou ação judicial

Antes de ingressar com a ação, o Ministério Público havia expedido o Ofício nº 246/2026-MP/6ªPJ, solicitando providências urgentes ao município no prazo de 48 horas. No entanto, não houve resposta efetiva por parte da administração municipal.

Diante da omissão, a promotoria decidiu acionar o Judiciário para garantir a proteção do animal.

Em decisão proferida em regime de plantão, o Juízo da 1ª Vara Cível e Empresarial da Comarca de Castanhal reconheceu a urgência do caso e determinou que o município adote, no prazo de 24 horas, uma série de medidas, incluindo:

  • Resgate do animal
  • Acolhimento adequado
  • Fornecimento de alimentação e água
  • Atendimento médico veterinário imediato

A decisão também prevê que os cuidados sejam estendidos aos filhotes após o nascimento.

Para viabilizar o atendimento, o município poderá utilizar a estrutura do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pará, com custos arcados pelo poder público municipal.

A Justiça fixou multa diária em caso de descumprimento da decisão, reforçando a obrigatoriedade da medida. De acordo com a promotora Maria José Cunha, a Constituição Federal estabelece de forma clara o dever do poder público de proteger os animais e impedir práticas que os submetam à crueldade.

Além da proteção imediata da cadela, o MPPA destaca que a ação tem como objetivo incentivar a implementação de políticas públicas eficazes voltadas ao manejo, acolhimento e tratamento de animais em situação de rua em Castanhal.

O Ministério Público informou que seguirá acompanhando o caso e poderá adotar novas medidas judiciais e extrajudiciais, caso haja descumprimento das determinações.

Valoriza a informação de verdade?

Ajude o Jornal de Castanhal a continuar no ar. Qualquer valor faz a diferença.

Faça um PIX agora
50.853.039/0001-20
Razão Social: 50.853.039 Alexandre Lobato Viana
Chave copiada com sucesso!