Ação conjunta flagrou falta de registro sanitário, origem irregular de produtos e abate clandestino de animais no mesmo recinto; operação integra esforço de combate à Doença de Chagas na região.


Uma operação conjunta entre a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e a Vigilância Sanitária municipal resultou na inutilização de aproximadamente 500 quilos de polpas de frutas nesta quinta-feira (7), em São Domingos do Capim. A agroindústria, localizada a cerca de 69 km de Castanhal, foi interditada por descumprir as normas estaduais que regulamentam o processamento de produtos vegetais.

Os fiscais identificaram que as polpas (especialmente de açaí e buriti) não possuíam selo de inspeção nem comprovação de origem. Segundo o proprietário, os insumos vinham de ribeirinhos e até do Amapá, sendo apenas embalados no local. Sem o devido controle, os produtos foram considerados impróprios para o consumo devido ao alto risco sanitário.

Contaminação Cruzada e Abate Clandestino

O cenário encontrado pelos agentes era ainda mais grave: no mesmo espaço destinado ao beneficiamento das frutas, funcionava um abate clandestino de frangos e suínos. Essa prática é estritamente proibida pela legislação devido ao risco de contaminação cruzada, onde bactérias da carne podem contaminar as polpas e vice-versa.


O proprietário do estabelecimento, Lucivaldo Machado, demonstrou intenção de se regularizar.

"Estou buscando me adequar às exigências após essa fiscalização e as orientações que recebemos. Vou finalizar as obras e me regularizar para retornar às atividades", afirmou.

Foco na Prevenção da Doença de Chagas

A fiscalização não foi isolada. Ela ocorreu paralelamente ao evento “Minimização da transmissão da doença de Chagas”, promovido pelo Ministério Público do Pará (MPPA) na Escola Manoel Bernardo da Luz. O objetivo é capacitar batedores de açaí e produtores sobre as Boas Práticas de Fabricação (BPF).

A falta de higiene no manejo do açaí é a principal porta de entrada para o protozoário Trypanosoma cruzi. Especialistas alertam que etapas como o branqueamento (choque térmico) e a rastreabilidade da matéria-prima são barreiras vitais para garantir a segurança de quem consome o fruto.

Rastreabilidade e Desafio Local

A fiscal da Adepará, Karen Neves, reforçou a obrigatoriedade da Guia de Trânsito Vegetal (GTV). Sem este documento, é impossível saber de onde o fruto veio e se foi colhido sob condições adequadas.

Atualmente, o desafio em São Domingos do Capim é grande: dos mais de 40 batedores de açaí em atividade no município, apenas dois possuem licença atualizada da Vigilância Sanitária. A regularização é vista não apenas como uma obrigação legal, mas como um diferencial competitivo para o produtor paraense ganhar novos mercados.

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