Semana marcada por rejeição de nome ao STF e queda de vetos evidencia fragilidade na base aliada e maior autonomia dos parlamentares sob liderança de Alcolumbre.
O peso das derrotas: Jorge Messias e a progressão de regime
O revés mais emblemático ocorreu no Senado, que rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no STF. O placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis acendeu o sinal de alerta no Palácio do Planalto. Paralelamente, o Congresso demonstrou força ao derrubar o veto presidencial ao projeto que endurece as regras de progressão de regime para envolvidos nos atos antidemocráticos.
Para o cientista político Hely Ferreira, o cenário é reflexo de uma "queda de braço" onde o Legislativo não parece disposto a "dizer amém" ao Executivo. "Um dos fatores é a falta de capacidade de articulação do governo federal. Em parte, isso se deve ao resultado das eleições, tendo em vista que a população elegeu um Congresso de maioria oposicionista", avalia Ferreira.
O Protagonismo de Davi Alcolumbre e o "Eterno" Centrão
A figura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, emerge como peça central nesta nova dinâmica. Sua habilidade em ditar o ritmo da pauta e convergir interesses com parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro tem fortalecido o Legislativo como um poder independente e, por vezes, antagônico ao Planalto.
A cientista política Priscila Lapa destaca que Alcolumbre exerceu sua "máxima expressão do poder de agenda", consolidando-se como uma liderança que não teme peitar o Executivo. Ferreira complementa lembrando a força do Centrão: "Quem diz que não depende do Centrão, não governa. O Centrão não é Bolsonaro, não é Lula; o Centrão é o poder".
Impacto no STF e o Recado Político
A resistência aos nomes indicados pelo governo para a Suprema Corte não é apenas uma barreira a Lula, mas também um recado ao próprio Judiciário. Segundo Priscila Lapa, o Legislativo busca exercer maior controle sobre as indicações para evitar futuras decisões que contrariem os interesses da classe política.
"Há um desejo de delimitação do poder do STF, com discussões que passam pela interferência na composição da Corte e até pela possibilidade de impeachment de ministros", explica a especialista.
Eleições no horizonte e o futuro da governabilidade
Com a proximidade do pleito eleitoral, a tendência é que o embate institucional se acirre. Temas como a anistia e a redução de poderes do STF devem ganhar o cotidiano da população e pautar os palanques.
Para superar a paralisia, o caminho parece ser a diplomacia. "É preciso sentar à mesa e estender a bandeira branca. Do contrário, as tensões serão cada vez maiores, o que é ruim para a democracia", conclui Hely Ferreira.
