Dados do Atlas da Violência 2026 mostram queda histórica na criminalidade do estado, impulsionada por investimentos milionários em segurança. No entanto, desafios locais persistem e dez municípios paraenses ainda preocupam.

Segup destaca que os números da pesquisa refletem os investimentos em tecnologia, viaturas e armamentos. Foto: MARCO SANTOS / AG PARÁ

O Pará consolidou-se como o estado da região Norte que mais reduziu a taxa de homicídios, ocupando a quarta posição nacional entre as unidades federativas com a maior queda desse tipo de crime desde 2017. Os dados foram revelados nesta terça-feira (26) pelo Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. De acordo com o levantamento, o estado apresentou uma expressiva redução de 36,4% nos registros de homicídios no Pará entre 2014 e 2024. Em um recorte mais recente, desde 2017, a queda contínua foi de 49,8% — ficando atrás apenas do Rio Grande do Norte (-56,6%), Sergipe (-54,8%) e Goiás (-52,6%). A taxa proporcional também recuou de forma significativa: caiu 50,7%, passando de 55,6 para 27,4 mortes por 100 mil habitantes ao ano.

Investimentos em Tecnologia e Inteligência

O secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), Ed-Lin Anselmo, atribui a retração histórica aos robustos investimentos feitos no setor. Nos últimos sete anos, o Governo do Estado destinou mais de R$ 950 milhões para a área de segurança pública.
"Temos fortalecido as forças de segurança com tecnologia, inteligência, capacitação, ampliação do efetivo e integração entre os órgãos, sempre com o compromisso de proteger vidas e garantir mais tranquilidade à população paraense", afirmou o secretário.
Esses recursos foram aplicados em:
  • Equipamentos de alta tecnologia e mais de mil câmeras de monitoramento;
  • Novas viaturas, armamentos, munições e lanchas rápidas;
  • Implantação das Bases Integradas Fluviais em regiões estratégicas;
100 totens de segurança conectados ao 190 e um novo Centro de Comando e Controle Móvel.
Outro destaque do Atlas 2026 é a preservação da vida dos jovens (15 a 29 anos). A taxa de letalidade nessa faixa etária caiu 51% na proporção por 100 mil habitantes. A melhora está diretamente associada ao programa Territórios pela Paz (TerPaz), que já implantou mais de 30 Usinas da Paz em diversas regiões paraenses.

O Contraponto: Castanhal e o ranking de violência

Apesar do cenário estadual positivo, a realidade em pontos específicos do Pará ainda exige atenção máxima das autoridades. O Atlas da Violência 2026 aponta que dez municípios paraenses estão entre os mais violentos do Brasil, apresentando taxas de letalidade que variam de 26,2 a 55,5 mortes por 100 mil habitantes. O município de Castanhal figura nesta preocupante lista, reforçando a necessidade de políticas públicas mais direcionadas para a Cidade Modelo. Confira o ranking das taxas no estado:
  1. Marituba: 55,5
  2. Altamira: 41,6
  3. Marabá: 38,0
  4. Itaituba: 37,4
  5. Paragominas: 36,4
  6. Bragança: 29,6
  7. Belém: 29,0
  8. Castanhal: 27,5
  9. Parauapebas: 27,4
  10. Abaetetuba e Barcarena: 26,2

Dinâmicas do crime organizado

Para o especialista em segurança pública Roberto Reis, a queda geral no estado é fruto de mudanças estruturais, mas o Pará continua sendo um território estratégico para o crime. "Nos municípios de Marituba e Belém, por exemplo, nós temos marcas muito relevantes de conflitos envolvendo territorialidade de facções, expressivas de disputas entre grupos criminosos", avalia Reis. Ele também ressalta que cidades como Itaituba sofrem com o reflexo de conflitos agrários e invasões de terra.

Resposta do Estado

A Segup ponderou que o ranking das cidades mais violentas do Atlas é calculado proporcionalmente (por 100 mil habitantes) e considera apenas municípios com população superior a 100 mil moradores. A secretaria ressaltou que, apesar dos pontos críticos locais, o próprio documento valida a "trajetória consistente de redução dos indicadores no Pará", comprovando a eficácia das diretrizes atuais de combate ao crime.