Após prejuízos com o mamão, Manoel e Lia Gomes apostaram na diversificação de culturas na Fazenda Dom Manuel. Com foco em sustentabilidade e manejo técnico, o casal garante renda o ano todo e planeja marca própria de chocolate em Castanhal.

Manoel Gomes da Silva e Lia Gomes apostaram no sistema agroflorestal em Castanhal. Foto: Eliane Silva

Filhos de produtores rurais, o casal Manoel Gomes da Silva e Lia Gomes decidiu mudar o rumo da produção na Fazenda Dom Manuel, em Castanhal, nordeste do Pará. Em busca de estabilidade financeira e melhor qualidade de vida, eles trocaram o cultivo de mamão e maracujá por um consórcio estratégico de cacau, açaí e banana.

A transição não foi imediata. "O mamão é muito perecível e estava dando prejuízo. A opção pelo cacau foi muito acertada, conseguimos uma virada sem precedentes", relembra Lia. Após um início difícil em 2018, ela buscou especialização na Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) e cursos em todo o país para dominar o manejo da cultura.

O Sucesso do Sistema Agroflorestal (SAF)

A estratégia adotada foi o Sistema Agroflorestal (SAF), que prioriza a sustentabilidade. No início, a banana garantiu a renda imediata, sendo retirada no terceiro ano para dar espaço ao desenvolvimento pleno do cacau. Atualmente, a propriedade de 225 hectares conta com 35 hectares dedicados ao cacau, com uma produtividade de 2 kg por pé.

O grande diferencial do modelo é o equilíbrio financeiro:

  • Renda o ano todo: Quando o cacau está na entressafra, o açaí está no pico de produção.
  • Sustentabilidade: Não são utilizados herbicidas nem controle químico de formigas.
  • Polinização natural: Dezenas de colmeias de abelhas sem ferrão foram instaladas para potencializar a produção do açaí.

Tecnologia e Futuro: Do Grão à Barra

A Fazenda Dom Manuel já investe no beneficiamento das amêndoas, que são fermentadas em cochos de madeira telados e secas em uma estufa de alta tecnologia recém-adquirida. "O mercado está mais exigente. A amêndoa do cacau precisa ter protocolo para chegar ao consumidor", explica Lia.

Embora atualmente entreguem cerca de 60 toneladas de produção a atravessadores e chocolatiers, os planos são ambiciosos: o casal já possui projetos e embalagens para lançar sua própria marca de chocolate. Além disso, pretendem explorar o turismo rural, aproveitando a estrutura que inclui também a criação de gado.

Resiliência no Mercado

Mesmo com a oscilação do preço da arroba — que hoje paga entre R$ 9 e R$ 10 por quilo, bem abaixo dos R$ 70 já alcançados em períodos anteriores — o otimismo permanece. Para Manoel, a diversificação é o segredo da sobrevivência no campo. "Não vou desistir do cacau. Temos outra cultura para ter equilíbrio e esse preço baixo não vai continuar por muito tempo", afirma o produtor.

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