Em discurso contundente na Câmara Municipal na manhã desta terça-feira (26), a parlamentar relatou invasões recentes, roubos e o clima de terror enfrentado por professores, alunos e vigias tanto na zona urbana quanto na zona rural do município.
Na manhã desta terça-feira (26 de maio de 2026), a pauta principal da 33ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Castanhal foi dominada por um apelo urgente por segurança pública. A vereadora Claudia Seabra (PDT) utilizou a tribuna para expor a grave situação de vulnerabilidade enfrentada pelas instituições de ensino da rede municipal.
Em um discurso marcado por indignação e preocupação, a parlamentar destacou que as invasões e atos de vandalismo deixaram de ser casos isolados para se tornarem uma ameaça constante à vida da comunidade escolar.
Invasões, Vandalismo e Terror
Para ilustrar a gravidade do problema, a vereadora detalhou incidentes recentes que chocaram educadores e moradores:
- Escola Maria da Encarnação: Na madrugada de segunda-feira (25), a unidade foi alvo de criminosos que cortaram a fiação das câmeras de segurança, depredaram o local jogando tinta nas salas de educação infantil e furtaram notebooks. O vigia da escola precisou se esconder para proteger a própria vida.
- Escola Paulo Freire: Na noite de segunda-feira (25), a unidade onde a própria vereadora atua como professora sofreu uma tentativa de intimidação. Dois homens em atitude suspeita rondaram o local, obrigando a equipe escolar a acionar a guarda municipal.
- Zona Rural Ameaçada: Na Agrovila Cupiúba, um veículo com indivíduos desconhecidos foi visto sondando a área na noite de segunda-feira. Seabra destacou que as escolas do campo são "presas fáceis" devido à falta de infraestrutura e policiamento ostensivo.
A vereadora lembrou ainda que o histórico de insegurança já havia atingido outras unidades em meses anteriores, citando episódios na Escola Luis Paiva e na Creche Jane Mary.
"Não quero me tornar nome de escola municipal"
Falando também como professora com mais de 20 anos de atuação, Claudia Seabra fez um desabafo que resumiu o sentimento da categoria: a impossibilidade de exercer o papel de educar quando se trabalha com as costas voltadas para a porta e com medo de quem pode entrar.
"Eu não quero me tornar nome de escola municipal no futuro, nem meus colegas," declarou a vereadora, em uma referência direta ao risco de vida que os servidores públicos estão correndo dentro de seu ambiente de trabalho.
Falta de Articulação Institucional
No âmbito político e administrativo, Seabra cobrou maior diálogo. Embora tenha elogiado a iniciativa do Tribunal de Contas de realizar auditorias na educação do município, ela criticou o fato de que a Comissão de Educação da Câmara (da qual é presidente) e o Conselho Municipal de Educação não foram convidados para acompanhar essas fiscalizações.
A parlamentar finalizou seu pronunciamento ressaltando que não está pedindo um favor ao Executivo, mas exigindo um direito constitucional: um ambiente seguro para que os profissionais da educação de Castanhal possam trabalhar e os alunos possam aprender.
