Excursão apoiada pela Emater levou universitários à Vila Bacabal para vivenciar a realidade produtiva de ingredientes essenciais da culinária paraense, unindo teoria acadêmica e agricultura familiar.
A excursão teve como destino a Vila Bacabal, no km 19 da rodovia PA-136. O principal objetivo da ação foi apresentar aos futuros gastrônomos a realidade cultural, econômica, social e produtiva de ingredientes que são a base da culinária paraense: a goma de tapioca, o molho de pimenta e o tucupi.
A Força da Agricultura Familiar em Castanhal
Os estudantes conheceram de perto dois empreendimentos rurais que contam com a assessoria da Emater há mais de uma década e se destacam pela alta produtividade:
- Tucupi da Colônia: Gerenciado pelo agricultor Antônio Sampaio, o "Bocão", o local utiliza procedimentos automatizados e artesanais. A produção chega a impressionantes 400 litros de tucupi por dia, mais de 100 quilos de goma de tapioca por semana e ultrapassa mil garrafas mensais de molhos de pimenta (de-cheiro e malagueta).
- Tucupi do Sérgio: Sob o comando de Paulo César Leitão e com o selo de qualidade da Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), o empreendimento alcança a marca de mais de mil litros de tucupi diários, além de produzir meia tonelada de goma de tapioca por semana e quatro mil garrafas de molho de pimenta ao mês.
Segundo a equipe da Emater, esses produtos não apenas abastecem Castanhal e municípios vizinhos, mas também são exportados para outros estados brasileiros.
Conexão entre o Campo e a Academia
Para o organizador do evento e tecnólogo em alimentos da Emater em Castanhal, Marcelo Costa, a iniciativa é um elo fundamental entre o ensino superior e a produção.
"Uma excursão assim aproxima o conhecimento acadêmico da vivência do campo, do conhecimento popular. É a oportunidade de demonstrar a importância das políticas públicas de incentivo às cadeias produtivas. Existe culinária porque existem tradição, tecnologia, injeção de recursos, território e pertencimento", resumiu Marcelo, destacando que a agricultura familiar é o alicerce que mantém viva a gastronomia paraense.
O grupo universitário foi acompanhado por especialistas da Uepa: a tecnóloga agroindustrial Elen Vanessa Costa (pós-doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos) e o tecnólogo de alimentos Vanderson Dantas (doutor na mesma área).
Gastronomia, Memória e Saúde
Para os alunos, a experiência foi além da técnica. Leandro Dias (28), graduado em Enfermagem e confeiteiro profissional, descreveu o momento como marcante. "Ficamos dentro da propriedade, do empreendimento. É muito interessante perceber as várias etapas da produção de alimentos: o início, o meio, o fim. Tudo o que se faz em uma ponta influencia na outra", apontou.
Leandro, que nasceu na zona rural de Cametá e hoje vive em Belém, resgatou memórias de sua infância nas casas-de-farinha e fez um paralelo importante entre sua formação em saúde e a gastronomia.
"A gastronomia hospitalar é um ramo especial. Pacientes paliativos podem receber cuidados que incluem alimentação de valor afetivo e cultural. Comer não é só nutrir: é construir e despertar história, memória e sentimento", refletiu o universitário.
Agenda de Próximas Visitas
A vivência prática dos estudantes continua. Uma nova excursão Castanhal adentro está programada para a próxima quarta-feira (17). Desta vez, a turma de Gastronomia da Uepa visitará outras duas agrovilas localizadas ao longo da rodovia PA-242: Pacuquara e Santa Terezinha.
