Mudança entra em vigor em 1º de agosto para conter a alta dos combustíveis gerada pela guerra. Previsão é de redução de R$ 0,03 na bomba.
O principal objetivo da mudança é proteger o mercado interno da forte instabilidade internacional. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, consequência da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o preço do barril de petróleo explodiu no mundo todo. Cerca de 20% da produção mundial passa por essa rota, e a recente ofensiva do governo de Donald Trump sobre o território persa elevou as tensões no setor.
Como o Brasil ainda importa cerca de 15% da gasolina que consome, o repasse da alta do barril seria inevitável. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o novo percentual deverá substituir a importação de 450 milhões de litros de gasolina, resultando em uma redução estimada de R$ 0,03 por litro na bomba para o consumidor final. O ministro Alexandre Silveira já sinalizou a intenção de, futuramente, tornar a mistura de 32% permanente.
Impasse com o Setor de Distribuição
A decisão, que teve articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), atende a demandas do agronegócio, mas gerou um embate direto com entidades representativas do setor de combustíveis.
| Ponto de Vista | Argumento Principal |
| Governo Federal | O ministro garante a segurança da mistura, baseada em testes científicos de física, química e motorização. |
| Postos e Distribuidoras | Alegam que o etanol tem menor rendimento, o que pode aumentar o gasto do motorista por quilômetro rodado. |
Em nota conjunta, entidades como Brasilcom (distribuidoras regionais), Fecombustíveis (postos), Abicom (importadores) e SindiTRR questionaram o aumento. O grupo alerta que a mudança carece de estudos mais aprofundados e que os consumidores podem arcar com os custos de desgaste de peças, especialmente em veículos antigos e motos movidas exclusivamente a gasolina.
Silveira rebateu as críticas, afirmando que o governo está "completamente seguro de avançar até 32%" sem prejuízos mecânicos.
Proibição de Importação de Biodiesel
Além da alteração na gasolina, a reunião do CNPE definiu novas regras de proteção à indústria nacional para o diesel.
A regra atual determina que o diesel comercializado tenha uma mistura de 15% de biodiesel sustentável (B15). Anteriormente, era permitido que até 20% desse volume sustentável viesse de fora do país. Com a nova resolução, o cumprimento da cota B15 deverá ser alcançado exclusivamente com produto nacional.
A decisão ocorre em um momento estratégico, em que os produtores nacionais de biodiesel já iniciaram a pressão sobre o governo para que a meta obrigatória seja elevada para 16% (o chamado patamar B16).
