Herik Ferreira Soares, de 23 anos, aparece em vídeo como prisioneiro de guerra. Ex-colegas de combate acionaram o Jornal de Castanhal pedindo intervenção diplomática imediata.


Um jovem natural de Castanhal, no Pará, foi capturado pelas forças russas enquanto atuava no conflito militar na Ucrânia. A informação chegou de forma urgente à redação do Jornal de Castanhal na noite deste sábado (20), através de um colega de combate brasileiro que apela para que a família do jovem seja localizada e acione as autoridades diplomáticas.

O prisioneiro de guerra foi identificado como Herik Ferreira Soares, nascido em 30 de outubro de 2002. Conhecido pelo nome de guerra "Neto", Herik viajou para a Ucrânia em meados de 2025. Após o término do seu primeiro contrato, ele chegou a deixar o país, mas decidiu retornar recentemente ao campo de batalha.

O Alerta ao Jornal e o Pedido de Socorro

O contato com a nossa redação foi feito via WhatsApp por um brasileiro que se identifica como Alexander (conhecido na Ucrânia pelo codinome "Oxossi"). Ele lutou ao lado de Herik e expressou profunda preocupação com o destino do colega.

"Ele foi capturado pelos russos, divulguem para chegar na família dele... A família tem que procurar o Itamaraty o mais rápido possível. Não deixem de divulgar, ele deve estar sendo torturado, depois vão sumir com ele", alertou Alexander.

A captura de Herik foi tornada pública por meio de canais russos no aplicativo Telegram (como o TrackAMerc), que monitoram e expõem combatentes estrangeiros no conflito.

O Relato de Herik em Cativeiro

Em um vídeo divulgado pelos canais russos, Herik aparece vestindo um uniforme laranja e azul. Visivelmente abalado e em tom de confissão, ele faz um longo desabafo, relatando ter sido enganado pelas forças ucranianas e enviando mensagens de despedida aos familiares no Brasil.

VEJA:

Principais pontos do vídeo:

  • Falsa Promessa: Herik afirma ter sido vítima de propaganda enganosa. Ele alega que viajou com o intuito de trabalhar na "retaguarda" em um local seguro, mas foi enviado diretamente para a linha de frente, enfrentando combates intensos (situação frequentemente descrita no front como meat assaults ou "assaltos de carne").
  • Uso de Estrangeiros: O jovem alerta outros latino-americanos para não viajarem para a guerra, afirmando que os comandantes ucranianos querem apenas usar brasileiros, colombianos e peruanos como bucha de canhão para poupar suas próprias tropas.
  • Agradecimento Médico: Ele menciona estar vivo graças aos militares russos, que, segundo ele, prestaram assistência médica humanitária após sua captura.
  • Pedido de Perdão: Chorando intensamente ao final da gravação, Herik pede desculpas à mãe e aos avós por não ter escutado seus conselhos quando esteve no Brasil no ano passado. "Não compensa vir para cá atrás de dinheiro sujo... não deixem a segurança da sua família para vir para uma guerra que não é sua", aconselha.

Orientação à Família

Em casos de brasileiros capturados em zonas de conflito internacional, a medida cabível é o contato imediato com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). A família deve buscar a assistência consular brasileira para que o governo possa tentar intervir diplomaticamente, garantir o cumprimento das Convenções de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra e obter informações oficiais sobre seu estado de saúde e localização.

O Jornal de Castanhal segue acompanhando o caso e pede a quem conhecer a família de Herik Ferreira Soares que repasse esta informação com a máxima urgência.