Tinha cartoze anos, quando preferi viver à margem da sociedade. Talvez seja por falta de rio, onde pudesse mergulhar e nadar com naturalida...
Tinha cartoze anos, quando preferi viver à margem da sociedade. Talvez seja por falta de rio, onde pudesse mergulhar e nadar com naturalidade e profundidade. Tomei, então, a iniciativa de dormir na casa de minha a vó Bibina, madrasta de meu pai, que morava retirado da cidade. Pegava meu rádio de pilha e todas as noites- -de luar ou não -ia dormir neste sitio retirado.
Sempre compreendi, desde cedo, que devemos ter agressividade com nossos sonhos. Naquela época, já percebia que as pessoas submetiam seus tímidos objetivos a monotonia diária. Tinha convicção, que a grandeza de meus sonhos, chegava até mesmo a mim marginalizar. Mas, foi através destes sonhos, que petrificaram em mim, que consegui pavimentar meu destino relativamente vencedor.
Acordava de madrugada e começava a estudar. Sonhei com um destino normal, em ser um competente engenheiro da Usiminas e ter dois filhos, mas minha vida tomou direção infinitamente diferente. O foco era outro e os instrumentos usados começaram a fazer as coisas a acontecerem devagar, porém, solidamente.
Hoje, vejo as meninas de minha época, fico imaginando que a vida nos retira tudo que ela, temporariamente, nos dá com abundância. Elas, as meninas de minha época, chegaram até a sonhar com o cantor Fabio Junior, mas a realidade as levara para situações desforráveis e a destino totalmente diferenciados de seus sonhos de adolescência.
Menino tímido e observador, lembro do mês de maio, juntamente com meus colegas, numa “eletrola” de marca “Sonata” e com disco vinil, enfrentávamos as bravuras dos pais das meninas de minha época, adicionadas ao frio, íamos fazer serenata. A realidade de época era totalmente desfavoráveis, quando colocava aquela coleção só de musica romântica, ignorava que as moças de meu tempo estavam pensando em outros homens, porém, hoje percebi que o sacrifício foi em vão.
Hoje, por não ter deixado meus sonhos a beira das estradas, mim parece que aquela sociedade um dia me descriminou começa a perceber a viabilidade de meus sonhos.
Existem muitas maneiras de olhar a natureza humana profundamente. Sabemos que são rigorosos, pelo menos com os outros, e só aceitam vencedores, ou melhor, só veem os resultados positivos prontos; não imaginam os bastidores e as dificuldades, para atingirem tais objetivos.
Se você tem algum objetivo, aprenda que o silencio dele esconde também as derrotas encontradas dentro de sua trajetória vencedora.
Esqueça as dádivas, estique o arco e aprenda a dar direção ás flechas e mire com determinação e depois é só esperar os resultados.
Nos momentos de construção, aja como um humilde pedreiro, chega até mesmo a aceitar a descriminalização, mas depois do edifício pronto, coloque em lugar estrategicamente visível.
Na época, que comecei a alimentar meus sonhos, de fragmentos reais percebi a voracidade e a insaciabilidade que um sonho em ação nos consome.
Hoje, tenho a noção que as músicas do pretérito não tinham ouvidos, para as meninas de minha época , a não ser para única adolescente estranha no ninho para a realidade do passado, mas estou com novos tons de quem aprendeu a afinar os instrumentos desafinados nas correntezas da vida.
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