Depois de 35 anos como terapeuta holístico, Pedro Rodrigues voltou à sala de aula, concluiu Fisioterapia e continua estudando e trabalhando na área.

Por Alechandre Viana | Jornal de Castanhal

Hoje, pai e filha trabalham juntos, compartilhando conhecimentos e experiências construídos em momentos diferentes da carreira. FOTO: Divulgação UNIASSELVI

Às vésperas do Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, uma história de perseverança e amor aos estudos ganha destaque no Pará. Aos 65 anos, Pedro Rodrigues decidiu tirar do papel um projeto adiado por décadas: cursar uma graduação na área da saúde. Morador de Marabá, no sudeste paraense, ele concluiu o curso de Fisioterapia pela UNIASSELVI e prova que não há limite de idade para realizar um sonho.

Durante 35 anos, Pedro trabalhou como terapeuta holístico, atendendo pacientes em domicílio e em clínicas da região. Movido pela curiosidade constante sobre o funcionamento do corpo humano, a vontade de ingressar no ensino superior sempre existiu. No entanto, questões financeiras e a falta de cursos presenciais na cidade dificultaram seus planos no passado.

A grande oportunidade surgiu quando a oferta do curso de Fisioterapia chegou ao seu município. Antes disso, o idoso chegou a iniciar a graduação em Biomedicina, mas fez a transição imediata quando a nova turma foi aberta.

"Eu sempre tive vontade de fazer uma graduação na área da saúde. Sempre gostei de pesquisar, de aprender e de buscar conhecimento. Quando a Fisioterapia chegou a Marabá, percebi que era a oportunidade de finalmente realizar esse sonho" — conta Pedro.

Paixão que une pai e filha

Voltar à sala de aula na terceira idade surpreendeu alguns amigos, que consideraram o movimento "uma loucura". Dentro de casa, porém, o cenário foi de total incentivo. A esposa e a filha comemoraram a decisão.

A história ganha contornos ainda mais especiais porque a filha de Pedro cresceu acompanhando os atendimentos do pai e, inspirada por ele, formou-se em Fisioterapia no ano de 2013. Hoje, com o diploma de Pedro em mãos (conquistado em 2024), pai e filha trabalham juntos, unindo vivências de diferentes gerações.

"Poder trabalhar ao lado dela é uma alegria muito grande. Nós aprendemos um com o outro e temos a oportunidade de unir experiências e conhecimentos" — celebra o mais novo fisioterapeuta.

O carinhoso "vovô" da turma

No ambiente acadêmico, Pedro superou qualquer barreira geracional e foi carinhosamente apelidado de "vovô" da turma. A vasta experiência prática de décadas trouxe ricas contribuições aos debates em sala de aula, promovendo uma valiosa troca de saberes com professores e alunos mais jovens.

"Nunca fui para lá achando que sabia tudo. Eu ensinei algumas coisas que aprendi ao longo da vida, mas também aprendi muito com os professores e colegas. Essa troca foi uma das partes mais importantes da graduação", relembra.

O fim da faculdade não significa o fim dos estudos. O marabaense já concluiu pós-graduações na área e, atualmente, prepara o lançamento de um livro de memórias, onde registrará sua inspiradora trajetória de vida.

Para Pedro, seguir ativo e estudando é a manutenção de um propósito. "A Fisioterapia é um chamado de vida. Ajudar a aliviar a dor das pessoas é transformar vidas. Não é a idade que resume uma pessoa, mas a sua sensibilidade e a vontade de continuar aprendendo" — finaliza.