Ação desarticulou organização criminosa armada que movimentou R$ 1 bilhão com furto e venda ilegal; nove pessoas foram presas e 11 empresas suspensas.
Por Alechandre Viana
A Polícia Federal (PF), a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagraram na última quinta-feira (17) a Operação Termidor. A ação conjunta desarticulou um esquema criminoso bilionário infiltrado na cadeia produtiva do dendê, com alvos no Pará — incluindo Castanhal — e em São Paulo.
A Justiça Federal no Pará expediu nove mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão. Além de Castanhal, as equipes realizaram incursões nos municípios paraenses de Belém, Ananindeua e Tomé-Açu, e na cidade de Indaiatuba, no interior paulista. A operação também resultou no bloqueio de R$ 153 milhões em bens dos investigados e determinou a suspensão das atividades econômicas de 11 empresas ligadas aos suspeitos.
A "Guerra do Dendê"
As investigações tiveram início a partir de uma série de conflitos agrários e episódios de violência no nordeste do Pará, contexto que ficou conhecido como a "guerra do dendê". A área afetada abrange os municípios de Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia. A região, historicamente ocupada por povos indígenas e comunidades quilombolas, é fortemente marcada pela monocultura da planta.
De acordo com as apurações, uma organização criminosa armada se instalou no território para furtar, receptar e vender ilegalmente o fruto do dendê, cuja extração resulta no óleo de palma — produto de alto valor comercial utilizado nas indústrias de alimentos e de biocombustíveis. O esquema contava, de forma agravante, com a colaboração de servidores públicos da área de segurança do estado.
Lavagem de dinheiro e empresas de fachada
Os levantamentos revelaram o tamanho estrondoso do esquema: os grupos empresariais investigados movimentaram pelo menos R$ 1 bilhão entre os anos de 2023 e 2026.
Para tentar legalizar os lucros ilícitos obtidos com o roubo do dendê, a organização praticava lavagem de dinheiro, misturando os recursos criminosos com dinheiro limpo. Para ocultar a verdadeira origem da renda e a identidade dos chefes do esquema, o grupo registrava o patrimônio e abria empresas no nome de terceiros, os chamados "laranjas".
A Receita Federal também identificou que a quadrilha comercializava produtos sem notas fiscais de entrada e movimentava valores totalmente incompatíveis com o patrimônio declarado aos órgãos de fiscalização.
Próximos passos
Durante o cumprimento dos mandados, agentes recolheram documentos, celulares e computadores. Todo o material apreendido foi encaminhado para perícia técnica e passará por uma análise detalhada. O cruzamento dessas informações com as quebras de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos fundamentará as próximas etapas da denúncia criminal à Justiça.
Com informações da Polícia Federal e da Receita Federal
