Sistema já é utilizado por 76,4% dos brasileiros, superando os cartões e o dinheiro em espécie. Praticidade e segurança impulsionam a adesão de consumidores e comerciantes.

Por Alechandre Viana | Jornal de Castanhal

O Pix continua ampliando seu espaço na rotina financeira dos brasileiros e já se consolidou como a principal forma de pagamento no país. Na última sexta-feira, 4 de setembro, o sistema de transferências do Banco Central registrou um novo recorde diário de transações: 318.073.816 operações liquidadas em apenas 24 horas.

Segundo os dados do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), esse volume movimentou a impressionante cifra de R$ 186,89 bilhões, resultando em um valor médio de aproximadamente R$ 587,58 por transação. O novo marco supera o recorde anterior, de 5 de dezembro do ano passado, quando foram liquidadas 313,3 milhões de operações.

O crescimento contínuo acompanha a popularização do Pix, que deixou de ser usado apenas para transferências entre contas e passou a dominar compras diárias, pagamentos de serviços e despesas cotidianas.

O fim do dinheiro físico?

Um levantamento recente do Banco Central aponta que o Pix já é utilizado por 76,4% da população. O percentual é significativamente superior ao uso de cartões de débito (69,1%), dinheiro em espécie (68,9%) e cartões de crédito (51,6%).

Nas ruas de Belém e nos comércios de nossa região, a preferência pelo pagamento instantâneo é unanimidade. Na movimentada Feira da 25, a comerciante Vitória Mendes, de 60 anos, revela que a ferramenta tecnológica transformou seus negócios, representando hoje cerca de 70% de suas vendas de confecções e pequenos objetos.

“O dinheiro trocado sumiu. E o Pix facilita o troco. Isso ajuda também quem está vendendo, porque o cliente já faz a transação no Pix e pronto”, relata Vitória. Ela destaca ainda que a isenção de taxas, comuns nas tradicionais "maquininhas", é um fator decisivo para os vendedores.

Segurança e rapidez na palma da mão

A percepção de facilidade é compartilhada por quem consome. A enfermeira Mayra Sarmento, de 38 anos, concentra a maior parte de seus pagamentos na ferramenta para evitar andar com cédulas. “O Pix representa segurança porque a gente não anda com dinheiro por aí. Ele nos dá essa liberdade”, afirma.

A velocidade imediata de compensação também conquistou os usuários. A profissional de relações públicas Ruth Souza, 54, resume a praticidade no dia a dia, como na hora de abastecer o carro ou ir ao supermercado: “Hoje em dia não precisa mais pegar dinheiro. Basta encostar o celular, fazer seu Pix rapidinho através do QR Code e pronto”.

O espaço do cartão de crédito

Apesar da ampla aceitação, o Pix ainda divide espaço com as modalidades de crédito. O comerciante Gabriel Oliveira, que trabalha com a venda de mariscos, explica que o comportamento de compra muda dependendo do período do mês.

“Acredito que a população usa o Pix mais quando está com dinheiro. O Pix costuma ter maior movimentação no início do mês e nos finais de semana. Quando não é no Pix, ocorre o uso do crédito ou débito”, observa Gabriel, ressaltando que o cartão de crédito ainda garante uma parcela vital do orçamento das famílias.