Pedido de vista de Flávio Dino suspende análise sobre investigação. Em meio à disputa eleitoral, relembre quais presidentes formaram a atual composição do Supremo.

Da Redação | Jornal de Castanhal

Ministro Gilmar Mendes, atual decano do Supremo Tribunal Federal (STF), completou 24 anos na Corte. Foto: Andressa Anholete/STF

O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que avalia a autorização de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi interrompido na última semana após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. O adiamento colocou a composição da Corte no centro do debate público, levantando dúvidas sobre quais presidentes indicaram os atuais magistrados.

Nas redes sociais, a situação de Moraes virou combustível eleitoral. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) tem promovido a estratégia batizada de "Lula de Moraes", buscando associar a imagem do ministro à do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em resposta rápida, Lula declarou em entrevista a um podcast no dia seguinte à sessão que não foi o responsável pela indicação de Moraes ao STF.

A cadeira vazia e a atual composição

Hoje, o STF opera com 10 dos 11 ministros previstos pela Constituição. A vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso segue aberta. O presidente Lula chegou a indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas o nome foi rejeitado pelo Senado Federal em abril, por 42 votos a 34.

A atual formação da Corte é fruto das escolhas de cinco presidentes da República: Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Embora Lula seja o presidente pós-redemocratização que mais fez indicações ao Supremo, apenas quatro de seus escolhidos estão hoje na Corte.

Confira abaixo quem indicou quem no atual STF:

Fernando Henrique Cardoso

Gilmar Mendes: Atual decano (membro mais antigo) da Corte, foi indicado em abril de 2002 e assumiu em junho. Ex-procurador da República e ex-advogado-geral da União, é o único ministro escolhido pelo ex-presidente tucano. Presidiu o STF entre 2008 e 2010.

Luiz Inácio Lula da Silva

Lula realizou 11 indicações ao longo de seus três mandatos (com uma rejeitada). Hoje, conta com quatro ministros na Casa:

Cármen Lúcia (2006): Segunda mulher a ocupar uma cadeira na Corte, entrou na vaga de Nelson Jobim. Mineira e professora de Direito Constitucional, presidiu o STF entre 2016 e 2018.

Dias Toffoli (2009): Indicado após a morte de Menezes Direito, era advogado-geral da União na época. Presidiu a Corte entre 2018 e 2020.

Cristiano Zanin (2023): Ex-advogado de Lula nos processos da Lava-Jato, assumiu a vaga deixada pela aposentadoria de Ricardo Lewandowski.

Flávio Dino (2024): O integrante mais recente assumiu a vaga de Rosa Weber. Ex-juiz federal, foi governador do Maranhão, senador e ministro da Justiça do terceiro governo Lula.

Dilma Rousseff

Das cinco indicações de Dilma, dois ministros continuam no tribunal:

Luiz Fux (2011): Com longa carreira na magistratura, presidiu o STF (2020-2022) e o TSE (2018-2020).

Edson Fachin (2015): Atual presidente do STF, ocupou a vaga de Joaquim Barbosa. É professor de Direito Civil e advogado com base no Paraná.

Michel Temer

Alexandre de Moraes (2017): Único indicado por Temer, assumiu após a morte trágica de Teori Zavascki. Era ministro da Justiça na época e possui histórico como promotor de Justiça e secretário de Segurança Pública em São Paulo.

Jair Bolsonaro

Kassio Nunes Marques (2020): Entrou na vaga de Celso de Mello. Era desembargador do TRF-1 e já havia sido juiz eleitoral no Piauí.

André Mendonça (2021): Ocupou a cadeira deixada por Marco Aurélio Mello. Pastor presbiteriano, foi advogado-geral da União e ministro da Justiça no governo Bolsonaro.