Herik Ferreira Soares, de 23 anos, apareceu em um vídeo na Rússia afirmando ter sido enganado por recrutadores militares. O Ministério das Relações Exteriores acompanha a situação e alerta brasileiros sobre os riscos em zonas de conflito.

Herik Ferreira Soares, de 23 anos, de Castanhal, no Pará, aparece em vídeo divulgado em canais ligados às forças russas e afirma ter sido feito prisioneiro. Foto: Reprodução

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), por meio da Embaixada do Brasil em Moscou, confirmou na manhã desta segunda-feira (22) que está acompanhando o caso do jovem castanhalense Herik Ferreira Soares, de 23 anos. O paraense foi capturado por forças militares russas em meio aos confrontos da Guerra da Ucrânia.

De acordo com nota oficial do Itamaraty, a representação diplomática brasileira já está em contato tanto com as autoridades russas quanto com a família de Herik no Pará, buscando informações adicionais e prestando a assistência consular possível dentro da legislação.

O drama do paraense e o vídeo divulgado

O caso veio à tona após a divulgação de um vídeo em canais do Telegram ligados às forças russas. Nas imagens, Herik aparece chorando e confirma ter sido feito prisioneiro. Em um relato emocionado, o jovem de Castanhal afirma ter sido enganado pelos recrutadores estrangeiros.

Segundo o brasileiro, a promessa inicial era de que ele atuaria apenas em funções de retaguarda, longe da linha de frente. No entanto, acabou sendo enviado para o combate direto, enfrentando confrontos intensos.

Ainda no vídeo, Herik:

  • Agradece aos militares russos pelo atendimento médico recebido;
  • Faz um apelo emocionado à família e pede perdão à sua mãe;
  • Relata profundo arrependimento por ter participado do conflito;
  • Alerta outros estrangeiros sobre as falsas promessas de recrutadores, afirmando que combatentes de fora estariam sendo utilizados como "bucha de canhão" em situações de altíssimo risco.

Limitações da assistência e alerta do Itamaraty

Apesar de acompanhar o caso de perto, o Itamaraty ressaltou que a assistência consular a brasileiros que se alistam voluntariamente em forças armadas de outros países possui "especificidades". A ajuda do governo brasileiro muitas vezes esbarra nos limites dos contratos militares firmados pelos próprios combatentes no momento do recrutamento.

Diante da repercussão e do aumento de casos semelhantes, o governo brasileiro emitiu um alerta contundente sobre os perigos do envolvimento de cidadãos nacionais em guerras estrangeiras:

  1. Riscos extremos e sem suporte financeiro: O governo alerta que não há obrigatoriedade em custear o retorno ao país ou oferecer suporte logístico para a repatriação em situações de envolvimento militar voluntário no exterior.
  2. Responsabilização legal: Dependendo das circunstâncias, o alistamento em exércitos de terceiros pode acarretar consequências legais, inclusive em território brasileiro.
  3. Recomendação oficial: A orientação expressa é para que qualquer oferta de participação em exércitos estrangeiros seja imediatamente recusada. Brasileiros que já se encontrem em zonas de conflito devem procurar as embaixadas ou canais oficiais de assistência consular o mais rápido possível.

O cenário no Leste Europeu segue instável, com relatos cada vez mais frequentes de combatentes sul-americanos envolvidos em diversas frentes de batalha entre a Rússia e a Ucrânia.