Entidade afirma que apenas órgãos oficiais podem falar em seu nome; bispo do RS critica carta assinada por religiosos, incluindo cinco do Pará.
Da Redação | Jornal de Castanhal
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota oficial nesta sexta-feira (23) para esclarecer quais de seus órgãos possuem competência para se manifestar em nome da instituição. O pronunciamento foi divulgado após cerca de 60 bispos assinarem uma carta manifestando apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fazendo críticas ao senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo as normas do Estatuto Canônico da CNBB, apenas a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência detêm autoridade para agir e se pronunciar oficialmente em nome de toda a Conferência. A nota institucional, no entanto, não mencionou diretamente a carta assinada pelos religiosos nem confirmou se o esclarecimento foi motivado por ela. Entre os 59 bispos listados no documento de apoio político, cinco são do estado do Pará: Dom Erwin Kräutler, Dom João Muniz Alves, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, Dom Paolo Andreolli e Dom Raimundo Possidonio Carrera da Mata.
A carta gerou forte reação interna. O bispo de Frederico Westphalen (RS), dom Antonio Carlos Rossi Keller, publicou uma nota pastoral criticando o posicionamento político, afirmando que "o púlpito não é palanque" e que "o altar não é comitê". Dom Antonio argumentou que a Igreja não tem competência para decidir pelo fiel nas opções contingentes da política. Ele também apontou que o documento dos bispos omitiu temas inegociáveis para a Igreja, como a defesa da vida humana inocente desde a concepção, a concepção cristã de casamento e família, e o direito dos pais à educação dos filhos.
Por fim, o bispo do Rio Grande do Sul destacou que a escolha de um candidato deve ser um ato de responsabilidade pessoal do leigo, baseada na Doutrina Social inteira. Ele enfatizou que "a Igreja não tem partido" e que perder seus princípios morais e sacramentais em troca de influência política é algo inaceitável.
